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Sociólogo aponta envelhecimento da população

O Estado de S. Paulo, 30/03/10

Pesquisador diz que mais prisões e melhoria da gestão policial também influenciaram queda no número de assassinatos

Bruno Paes Manso

Na lista feita pelo sociólogo Túlio Kahn, coordenador de Análise e Planejamento da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a retirada de armas de fogo em circulação lidera o ranking das causas que mais contribuíram para a queda dos assassinatos em São Paulo.

Em um dos artigos do livro As Formas do Crime, o sociólogo fez uma lista dos quatro principais motivos que levaram à redução dos assassinatos em São Paulo. Em segundo lugar, Kahn aponta o envelhecimento da população paulista; em terceiro, a melhoria da gestão policial; e em quarto, o aumento das taxas de encarceramento.

“O estatuto do desarmamento ajudou na redução de homicídios porque a polícia soube lançar mão de estratégias inteligentes para aproveitar a oportunidade criada pela nova lei. Isso não aconteceu em outros Estados, onde os índices de assassinatos permaneceram em patamares semelhantes mesmo depois do estatuto”, afirmou.

Aprovado em 2003, depois do estatuto, o porte ilegal de armas tornou-se crime inafiançável. Paralelamente, nas periferias de São Paulo, intensificaram-se as blitze policiais nos lugares mais violentos, durante os horários em que ocorriam mais mortes. Era o chamado microdesarmamento, concentrado nos pontos mais quentes do Estado.

Entre 1995 e 1997, foram retiradas das ruas de São Paulo, em média, entre 5 mil e 7 mil armas por trimestre. Em 1999, ano a partir do qual os crimes começaram a cair, esse total havia saltado para 11.470, mantendo-se sempre acima dos 9 mil nos trimestres seguidos. Nos últimos anos, o total de blitze policiais se manteve, mas a apreensão de armas diminuiu. Para Kahn, esse é o principal sinal de que menos pessoas hoje andam armadas.

Além da retirada, a entrada de novas armas em circulação também diminuiu drasticamente. Enquanto em 1995 foram concedidos 31 mil novos portes de armas em São Paulo, esse total caiu para 6.714 em 1998, mantendo-se uma média de 8 mil novos portes nos anos seguintes.


Estratégia

Túlio Kahn
SOCIÓLOGO

“O estatuto do desarmamento ajudou na redução de homicídios porque a polícia soube lançar mão de estratégias inteligentes para aproveitar a oportunidade
criada pela nova lei”

“Isso não aconteceu em outros Estados, onde os índices de assassinatos permaneceram em patamares semelhantes mesmo depois do estatuto”

justiça e segurança · desarmamento, violência
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