Tempo perdido na política externa
A “aliança estratégica” Brasil-França deve azedar de vez com a insistência da França em discutir controle de preços de alimentos no G-20.
É irônico ver a França preocupada com a segurança alimentar do mundo depois de por anos a fio capitanear o protecionismo agrícola europeu. Concordo com Paulo Roberto Almeida:
Se a França e a União Europeia decidissem terminar com o subvencionismo e o protecionismo agrícolas, de fato a absurda “Loucura Agrícola Comum” que eles defendem, o mundo seria um lugar bem mais abundante em produtos agrícolas, sem a penúria e a pobreza que essas políticas provocam em países africanos e outros em desenvolvimento.
O aliado natural do Brasil nessa matéria é os Estados Unidos, ambos os países grandes exportadores de alimentos.
Não entendo como Lula, Celso Amorin, Marco Aurélio Garcia e Nelson Jobim perderam tanto tempo com a ficção da tal aliança e chegaram tão perto de, em nome dela, fechar a compra dos caças franceses.
Curioso que a aliança começou a gorar, não por causa da divergência estratégica comercial, nem por causa da opinião técnica da FAB contra a compra dos caças franceses, mas por um fato lateral: Lula se aborreceu com o passa-moleque que levou de Nicolas Sarkozy na tentativa de acordo nuclear com o Irã.
Pelo menos não vamos, parece, pagar o mico dos caças. Mais clareza e consistência na política externa de Dilma Rousseff, com mais ou menos os mesmos trapalhões de Lula, seria esperar demais.





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