Terça-feira da vergonha
O corporativismo togado conseguiu parar o Conselho Nacional de Justiça, com ajuda de dois ministros do Supremo Tribunal Federal.
As liminares de Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski são desastrosas pelos efeitos e vergonhosas pela hora escolhida para publica-las, na véspera do recesso.
Se os juízes devem ser e parecer honestos, os ministros erraram feio. Suas decisões parecem acobertamento dos desmandos dos seus colegas dos tribunais. No caso de Lewandowski, com suspeita de decisão em causa própria, porque ele foi desembargador do tribunal de São Paulo, um dos investigados.
Só falta deixarem os réus do mensalão escapar por prescrição das penas.
Retrocesso institucional, opinou o Estadão num editorial corajoso.
Dora Kramer abre o foco da discussão e o quadro que aparece é realmente de tirar o sono. Além do CNJ, a Comissão de Ética Pública do Executivo (que é que Sepúlveda Pertence ainda está fazendo lá?) e as CPIs e conselhos de ética do Congresso estão bloqueados.
Espécies em extinção, os instrumentos de fiscalização perdem paulatinamente sua razão de ser, a República perde seus controles e com isso a condição essencial para o funcionamento das instituições em estado de normalidade.
A imprensa ainda chia - digo, o que resta de imprensa não cooptada/intimidada. Mas quem vai garantir sua independência quando ela sofrer um ataque frontal?
Os exemplos de leniência e cumplicidade de Lula corroem as instituições como soda cáustica.
Poucas vezes Brasil precisou tanto de oposição, na política e na sociedade. Poucas vezes foi tão fácil saber por que se opor.





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