Um livro à espera de um autor
Vejam o que Dorrit Harazin sacou do baú: completou 100 anos a publicação de “Tammany Hall: uma série de conversas francas sobre o lado muito prático da política”, de George W. Plunkitt.
Vale a pena conferir as pérolas de sabedoria de Plunkitt pescadas por Harazin em seu artigo, copiado aqui.
O livrinho conta tudo, ou muito, em todo caso, sobre a famosa, poderosa máquina de corrupção do Partido Democrata na Nova York do começo do século passado. Conta e justifica, nestes termos:
Todo mundo anda dizendo que estamos enriquecendo através de suborno e corrupção, mas ninguém parou para fazer uma distinção entre ilícito honesto e ilícito desonesto. Existe uma diferença enorme entre os dois. Não nego que muitos de nós enriqueceram na política. Inclusive eu. Fiz fortuna com ela e a cada dia fico mais rico. Mas nunca me envolvi com roubalheiras desonestas, como chantagem, jogatina, rede de prostituição, etc. Sou um exemplo de como o ilícito honesto funciona e posso resumir a prática numa única frase: ‘Aproveitei as oportunidades que apareceram.’
Achei a íntegra do livro no Projeto Gutenberg. Se quiser inspirar seu domingo, pode baixar daqui.
Harazin sente falta de alguém que defenda a corrupção no Brasil hoje com a mesma convicção de Plunkitt. No mínimo, ela pensa, os ministros demissionários poderiam ter se estendido um pouco mais nas cartas de despedida.
Para autor de um livro sobre o assunto, o imortal José Sarney parece um candidato óbvio. Ele tem todos os predicados práticos e literários, e até o physique du rôle.
Mas, em matéria de convicção, não tem para mais ninguém: quem já entrou para a história como nosso evangelista da política prática é Lula. Só falta o livro. Talvez com Ricardo Kotscho ou outro companheiro jornalista para tomar a termo.
A epígrafe do livro de Lula pode vir direto de Plunkitt: “Aproveitei as oportunidades que apareceram”.





O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: 