Virada cívica

Como as marchas foram quase na mesma hora, não deu para participar das duas. Vi de longe a Marcha pela Liberdade quando cruzei a Avenida Paulista voltando da Marcha pela Ética no Parque do Povo. Até pensei em descer do táxi mas, francamente, duas marchas no mesmo dia seria ativismo demais para um sessentão contemplativo.
Se era para ir só numa, acho que acertei ficando na Marcha pela Ética. Os jovens que querem a liberação da maconha vão acabar conseguindo, talvez já não tão jovens, mas vão. Apoio a causa deles, como FHC, pensando nos meus netos. Não para que eles possam fumar maconha - torço para que não fumem nem cigarro - mas para que a sociedade possa achar formas eficazes de controlar o uso de drogas.
Controlar a corrupção é uma causa mais difícil, que me motiva mais pessoalmente. Me dá tristeza ver a democracia, que foi a grande causa da minha juventude, sendo esculhambada. É triste pensar que o Brasil levou sessenta anos para ir do rouba-mas-faz do Ademar para o rouba-mas-não-faz dessa cambada de oportunistas e pelegos gananciosos.
Preferia que tivesse mais gente saindo de casa pela ética. Preferia que os políticos honestos entrassem mais firme nessa briga. Mas já vi o bastante para saber que o tempo da política também vira.
Ontem o tempo propriamente dito estava lindo. Um sol camarada de outono brilhando sobre o Parque do Povo, que eu só conhecida de passar ao lado pela Marginal do Pinheiros e é mais bonito por dentro do que por fora. Encontrei amigos e desconhecidos que estão, como eu, de saco cheio dessa esculhambação. Foi um sábado bom.
Ruim mesmo é gostar do marasmo e não se preparar para a virada.





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Seguindo seu raciocínio: que tal liberar o homicídio para que a sociedade possa encontrar formas de controlá-lo?
Lamento, mas você está completamente equivocado quanto à liberação das drogas. Devem ser proibidas severamente, punindo inclusive os usuários que são, ao final, os financiadores dos traficantes.