Vocabulário da crise

“Restruturação” foi a palavra desta semana na Europa e Estados Unidos.
Começou com um editorial da The Economist pedindo um plano B para o resgate financeiro dos países a perigo na periferia da Europa: Grécia, Irlanda, Portugal. O plano B seria a restruturação de suas dívidas, com prejuízos divididos entre as grandes potências européias - Alemanha à frente - e os bancos credores.
Na quarta-feira um jornal alemão noticiou que os ministros da fazenda da zona do euro estariam discutindo alguma coisa nesse sentido. Os governos da Alemanha e da Grécia e a Comissão Européia saíram desmentindo. Mas o presidente da principal confederação industrial da alemã, interlocutor frequente de Angela Merkel, disse que “é melhor começar a restruturação hoje do que amanhã”. Mesma tese da The Economist: se empurrar com a barriga, vai sair mais caro e aumentar o risco de puxar a Europa inteira para a atoleiro. Do ponto de vista dos credores, trata-se de aceitar um haircut no valor dos seus papéis agora para não entregar a cabeça depois.
Os Estados Unidos começam a discutir uma saída parecida para os estados enterrados em dívidas, incluindo custos a descoberto da aposentadoria de seus funcionários. Muda a palavra: os americanos, talvez mais toscos, falam em “falência” mesmo.
Sem chance de entender as minúcias da encrenca financeira, posso pelo menos me divertir com as sutilezas da linguagem. Se a encrenca fosse do nosso lado do mundo, as opções não seriam “restruturação” nem “falência”, mas sim “moratória”, “quebra”, “calote”, por aí.
Dando uma de Lula: enquanto isso, por aqui os palavrões da hora são “refundação” - do PSDB - e “reabilitação” - dos mensaleiros do PT. Constrangedor, mas bem mais ameno!





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