Sobre                        Contato                        Arquivo

Voto distrital, uma chance para a ética

Antonio Carlos Mendes Thame, blog, 11/06/11

A reforma passou a fazer parte da agenda da Câmara dos Deputados e do Senado. É consenso que o atual sistema de escolha dos deputados federais e estaduais precisa ser mudado. Com mais de 135 milhões de eleitores no país e Estados com áreas que superam muitos países juntos, o modelo torna o custo das campanhas eleitorais elevadíssimo, estimulando a corrupção. Além disso, dificulta o vínculo entre representante e eleitor, o que enfraquece a participação popular e contribui para piorar a qualidade da representação política.

No Estado de São Paulo, por exemplo, é impossível a quem concorre a uma vaga de deputado federal ou estadual apresentar suas propostas para mais de 30 milhões de eleitores. Ou percorrer, no Amazonas, uma área de 1.570.745,680 km2 – maior que a França, Espanha, Suécia e Grécia juntas. Por isso, em vez de discutir propostas com os eleitores, os candidatos gastam boa parte de seu tempo nas campanhas eleitorais em busca de recursos.

Outro defeito do sistema atual é permitir que candidatos possam ser votados em regiões distantes do seu domicílio eleitoral. Isso piora a qualidade da representação política, pois possibilita o voto em quem não se conhece. Alguns deputados envolvidos em escândalos, como o mensalão, por exemplo, foram derrotados nas suas bases eleitorais, mas foram reeleitos em 2006 e 2010 porque tiveram votos espalhados por todo o estado em que disputaram as eleições. Se tivessem que ser votados apenas em suas bases eleitorais, dificilmente seriam eleitos.

Com o objetivo de sanar estes e outros problemas, com a intenção de aprimorar o sistema eleitoral, apresentamos, em 2006, o projeto de lei 7537, que cria o voto distrital proporcional. Pela proposta, para a eleição de deputados federais e estaduais, os estados são divididos em distritos eleitorais relativamente pequenos (hoje, o “distrito” é todo um Estado). Assim, cada estado será dividido, no mínimo, em dois distritos, e, no máximo, no correspondente à metade das cadeiras disputadas em cada estado do país. Por exemplo: São Paulo, com 70 deputados federais, poderá ter de 2 a 35 distritos, de tal forma que em nenhum distrito haja disputa de apenas uma cadeira, visto que isto configuraria uma eleição majoritária.

Ao dividir o estado em distritos, os custos das campanhas diminuem muito. Além disso, ao aproximar eleitos e eleitores, melhora a qualidade da representação política, uma vez que os parlamentares estarão mais próximos de suas bases e serão fiscalizados de perto. No caso de São Paulo, por exemplo, no lugar de um “distritão” com mais de 30 milhões de eleitores, poderíamos ter distritos com cerca de 600 mil eleitores. Seria, então, mais fácil fiscalizar e cobrar o desempenho do deputado fazendo com que ele tenha mais compromissos com o seu distrito. Também, diminuiria o número de cidadãos que não se lembram de em quem votaram nas últimas eleições e deputados que não sabem quem os elegeu.

Outro ponto importante é que o voto distrital proporcional pode ser aprovado por maioria simples. Não é necessária uma emenda à Constituição, o que exigiria 3/5 dos votos, em duas votações, na Câmara e no Senado.

Em resumo, o voto distrital proporcional é um passo significativo para melhorar a qualidade da representação política no Brasil e contribuirá para que o parlamento se preocupe majoritariamente com propostas e projetos que de fato ajudem a melhorar a vida das pessoas.

Antonio Carlos Mendes Thame é professor (licenciado) do Departamento de Economia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e Deputado Federal (PSDB/SP). Foi Prefeito de Piracicaba e Secretário Estadual de Recursos Hídricos. É presidente do PSDB Piracicaba.

democratização · reforma política, voto distrital proporcional
Enviar   Imprimir   Fonte

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Posts recentes


Olho no México

O Brasil não precisa deixar a captura do estado ir tão longe. O caso Cachoeira poderia ser o sinal de alarme para um pacto contra a corrupção política e o crime organizado.

Deixem o governador falar

O PSDB precisa resolver: ou defende claramente o governador Marconi Perillo, ou admite claramente que não tem condições de defende-lo.

Bem na foto

Não tem como negar: a atual presidente e os ex, todos eles, estão bem na foto da instalação da Comissão da Verdade.

Problemas na “Lei Dieckmann”

Os deputados não devem, na pressa, perder a oportunidade de ouvir mais quem entende do assunto e corrigir as falhas do projeto.

FHC e Jefferson

Sobre a concessão do Prêmio Kluge a FHC: "Não só é a primeira pessoa com uma carreira política pessoal relevante a ganhar este prêmio, como é também um representante acabado do que chamamos cientista social. Se quiser fazer uma comparação americana, ele é como Jefferson".

Salvo pelo BNDES

Opinão d'O Globo: "É necessário averiguar os vestígios de interferência política na compra da Delta pelo JBS".

Não dá para não ler

As suspeitas sobre os dois governadores são parecidas: ligações impróprias com Carlos Cachoeira. O tratamento editorial da Folha varia. Um governador, de Goiás, é "tucano". O outro, petista, é "do DF".

Para não dizer que eu não falei da Globo

A Virada Cultural paulistana foi um desastre e o Viradão Carioca um sucesso, segundo O Globo. Não sei se vou para o Rio na próxima virada ou assino outro jornal.

Quem merece essa jurisprudência?

Como a nota não cita fonte, nunca se sabe... Espero que não seja verdadeira. Se o PSDB se deixar enquadrar desse jeito, já era.

Mais inteligentes, menos violentos

Posso acreditar que a razão venha nos salvar das formas endêmicas de violência. Se não é verdade, é bem sacado. Os homicídios estão mesmo em queda em São Paulo e até no Rio de Janeiro. Podem muito bem continuar a diminuir no planeta.

Mais herança maldita

Governadores e prefeitos fariam melhor de não esperar sentados pela próxima onda de greves dos funcionários em geral e ameaças de motim da polícia.

Brecha na proibição do aborto

Para quem acredita em alma, o feto que não tem cérebro deve ser protegido mesmo assim porque tem alma.

A língua do PT

"Hegemonia", na língua do PT, é isso: a pretensão de reescrever numa penada o dicionário e a história do Brasil.

Até 2020

Tomando nota: três tendências ou fatos que devem ter forte impacto sobre o equilíbrio do mundo até 2020.
Mais posts