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Que onda!

Eduardo Graeff, 04/02/12

Guilherme Fiúza achou a onda Luíza na internet o cúmulo da falta de sentido.

Luíza foi ao Canadá para provar que a opinião pública brasileira virou geleia. […]

Que código, que sentido subliminar, ou pelo menos que estranheza justificava tão irresistível propagação? Ninguém saberia responder. Mas nem seria preciso resposta, porque ninguém perguntava. O que explicava a repetição era a repetição. O espetáculo da inércia mental nunca tinha sido tão exuberante.

Repetição pela repetição, sim. Tem coisas que se espalham na internet, não tanto pelo conteúdo, mas pela experiência. As pessoas entram para fazer parte e ver até onde a onda chega. Uma bricadeira parecida com a hola nos estádios.

Inércia mental, nem tanto. Meu palpite é que boa parte da moçada que entra nesses jogos é a mesma que está descobrindo/inventando a internet como canal de relacionamento pessoal, mobilização social e ativismo político. Nas antípodas da inércia.

Neste mundo de interação fragmentada, horizontal, a opinião pública com certeza está virando outra coisa. Geleia? Pode ser, às vezes. Outras vezes, enxame. Êta mundão complicado e interessante!

comunicação · internet, opinião pública
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Pesos e medidas

Eduardo Graeff, 28/01/12

Nelson Breve, que hoje dirige a Empresa Brasileira de Comunicação, já foi mais exigente em matéria de critérios jornalísticos. Em 2006, ele escreveu isto na Agência Carta Maior:

A mistificação dos blogs está envenenando o noticiário jornalístico com a propagação de comentários que são tratados como notícia verdadeira sem passarem pelos crivos de checagem das informações. Tal como as colunas de notas e fofocas, os blogs de jornalistas têm demonstrado mais afinidade com versões do que com fatos, transformando pautas em notícias publicadas.

O comentário cai como uma luva na divulgação irresponsável do “massacre de Pinheirinho” pela EBC, desmascarada por Reinaldo Azevedo.

Já em 2006, na verdade, a ética profissional de Breve tinha dois pesos e duas medidas. Sua preocupação com a falta de checagem limitava-se, naquela altura, às denúncias de corrupção envolvendo o PT e o governo Lula. Nem um pio contra os blogs petistas, inclusive Carta Maior, que espalhavam a forjada “lista de Furnas”.

É interessante rever a troca entre ele e Ana Maria Almeida aqui no eAgora.

comunicação · ebc, governismo, jornalismo, pt
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Verniz fino

Eduardo Graeff, 27/01/12

Dilma Rousseff não é tão loquaz quanto Lula, mas mostra a mesma facilidade para mudar de discurso conforme a platéia. Em São Paulo, homenageada por Gilberto Kassab, ela posou de boa moça. Horas depois, em Porto Alegre, deu declarações incompatíveis com a dignidade do seu cargo.

Notícia da Folha (para assinantes):

Em reunião fechada ontem com movimentos sociais em Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff fez críticas contundentes à reintegração de posse na área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos (a 97 km de São Paulo).

A Folha ouviu seis participantes do encontro. Segundo eles, Dilma se referiu à operação da Polícia Militar paulista como “barbárie” e disse que não esperava que ocorresse dessa maneira.

O que houve em Pinheirinho foi o cumprimento de uma ordem judicial, executada pela polícia com os cuidados possíveis, diante da reação violenta de minorias que querem porque querem fabricar mártires em São Paulo.

Barbárie foi o que as mesmas minorias tentaram fazer com Kassab na saída da catedral da Sé.

Dilma, como seu secretário-geral, Gilberto Carvalho, incita conscientemente a violência dessas minorias ao imputar violência às autoridades constituídas do estado de São Paulo.

O contexto semi-clandestino das declarações - em “reunião fechada” - só agrava a falsidade do seu teor.

Como é fino o verniz da civilidade!

política · dilma rousseff, estado de direito, violência política
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Flor do pântano

Eduardo Graeff, 26/01/12

Luiz Cláudio Cunha relata no Observatório da Imprensa uma história cabeluda de corrupção e cerco à liberdade de imprensa. O pivô é um irmão do ex-governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. A vítima, além da fazenda pública, é um jornal local chamado JÁ, que fechou depois de dez anos de perseguição.

Um personagem secundário da história chama atenção porque virou presidente da República. Dilma Rousseff, quando assumiu a Secretaria de Minas e Energia do governo Alceu Collares, em 1995, herdou uma sindicância da Companhia Estadual de Energia Elétrica sobre os desmandos do irmão do ex-governador.

“Eu nunca tinha visto nada igual”, diria Dilma, eletrificada com o que leu, pouco depois de botar o dedo na tomada e pedir uma nova investigação. Ela não falou mais no assunto porque, em nome da santa governabilidade, o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para aprovar seus pleitos na Assembleia. Mesmo assim, antes de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, Dilma Rousseff teve o cuidado de encaminhar o resultado da sindicância para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE)…

Reconhecem o padrão de conduta? Os antigos diziam que a virtude está no meio. Para Dilma, a virtude, parece, está em não se comprometer com a corrupção nem com o combate à corrupção.

política · corrupção, dilma rousseff, liberdade de imprensa
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Louco amor

Eduardo Graeff, 22/01/12

No capítulo de hoje de A História de Mora, Jorge Bastos Moreno lembra que um dia Orestes Quércia se queixou de Fernando Henrique Cardoso para Ulysses Guimarães:

- Eu nunca tive raiva do Fernando Henrique. Ele é que tem ódio de mim. É compreensível: intelectual não gosta de caipira.

Fernando Henrique respondeu:

- Intelectual gosta, sim, de caipira. Intelectual não gosta é de ladrão!

Pode ser. Mas o amor dos intelectuais esquerdistas pelo operário Lula, esse é incondicional.

política · fhc, lula, orestes quércia
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Rio alto astral

Eduardo Graeff, 21/01/12

O Globo faz um merchandising caprichado do verão do Rio de Janeiro:

Turistas estrangeiros elogiam hospitalidade, limpeza e segurança da cidade

Dá vontade de pegar a ponte aérea e ir lá aproveitar.

Os meios de comunicação do Rio, começando pela Globo, jogam para cima a cidade deles. Refletem e realimentam o sentimento do público local. Há uma ampla e ativa coalizão na sociedade carioca, das elites ao povão, passando pela classe média, para salvar o Rio da violência, do crime organizado e do caos urbano. Meu amigo André Urani foi um dos grandes estimuladores disso.

Em São Paulo não há nada parecido, talvez porque não existe a mesma sensação que a cidade precisa ser salva. A polarização PT-PSDB também deve trabalhar contra uma frente ampla a favor da cidade. Os meios de comunicação refletem isso, tratando a cidade e as ações dos governos municipal e estadual na cidade num tom sempre mais crítico.

No tema da segurança, por exemplo, a diferença é clara. A Globo comemora a queda dos homicídios no Rio. A queda bem mais acentuada em São Paulo - um case mundial - é apenas registrada pela mídia local. As UPPs nas favelas cariocas são um show. As “operações saturação” da polícia paulista (está certo que o nome não ajuda) quase não são notadas.

Não vou dizer que os cariocas gostam mais da cidade deles do que nós, paulistanos, da nossa. Mas que tenho alguma inveja da atitude positiva deles, lá isso tenho. Sem contar o pequeno detalhe das praias…

cidades · imprensa, rio de janeiro, são paulo
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Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Artigos


‘Temos que rever o que consideramos progresso’

André Lara Resende, entrevista a O Globo, 05/02/12
Um dos pais do Plano Real, André Lara Resende diz que existe uma nova restrição: o fato de que atingimos os limites do planeta e, por isso, não podemos mais contar com a expansão da economia como um antídoto contra a crise. - A capacidade de continuar a crescer nos padrões a que estamos acostumados esbarra nos limites físicos do planeta.

Cuba - até quando o silêncio?

Sérgio Fausto, O Estado de S. Paulo, 04/02/12
A viagem da presidente Dilma Rousseff a Cuba expressou não apenas limites da diplomacia brasileira quanto à defesa dos direitos humanos, mas também a contraditória relação que parte importante da esquerda - em grande medida representada pelo PT - tem com o tema quando ele se coloca em países ditos socialistas, Cuba em particular.

As mentiras do PT sobre Pinheirinho

Aloysio Nunes Ferreira, Folha de S. Paulo, 01/02/12
Em face da reintegração judicial de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, o PT montou uma fábrica de mentiras para divulgar nas próximas campanhas eleitorais. Em respeito aos leitores da Folha, eis as mentiras, seguidas da verdade.

O cavalo do Spielberg

Roberto DaMatta, O Globo, 01/02/12
Essa figura do cavalo como símbolo de poder, como animal de trabalho e como montaria que passa a ser uma arma quando os seus donos entram em guerra, foi o que mais me tocou no filme. Pois o que a narrativa de Spielberg realiza em estilo de John Ford é mostrar como cada um dos seus "donos" o vê como uma projeção de si mesmos.

Democracia x capitalismo

Merval Pereira, O Globo, 01/02/12
Em Davos, tanto a democracia quanto o capitalismo foram postos em discussão em diversos painéis. Com o surgimento do "capitalismo de Estado", capitaneado pela China, a relação direta entre democracia e capitalismo já não é mais uma variável tão absoluta quanto parecia nos anos 80 e 90 do século passado.

O iPad, os chineses e nós

Pedro Dória, O Globo, 31/01/12
O tablet, seja Apple, seja Samsung, não é feito por robôs. Cada microcomponente é encaixado ali por uma mão em gestos repetitivos, milhares de vezes por dia, às vezes sete dias por semana. Já há registro de que, após dez anos desse tipo de trabalho, teve operário que perdeu a função de suas mãos numa tendinite elevada a níveis desumanos. A vida na China é dura. Devemos nos sentir culpados?

A ética do coronelismo

Roberto DaMatta, Época, 30/01/12
Nos idos de 1960, um humilde sertanejo do antigo Estado de Goiás me disse o seguinte sobre o sistema político brasileiro: “Todo mundo tem patrão e empregado. Só Deus não tem patrão e não deve favor a ninguém! O resto tudinho tem um lado forte e um lado fraco! É patrão e doador (seu lado forte) e cliente e recebedor (seu lado fraco). Por isso, todo mundo tem o rabo preso!”.

Crime mata menos, polícia mata mais

Leandro Piquet Carneiro, Folha de S. Paulo, 27/01/12
Nos quatro anos cobertos pelo levantamento, 62% dos conflitos com mortes ocorreram no atendimento de casos de roubo ou furto. A vítima consegue ligar para o 190, a PM envia uma viatura e quando ocorre o encontro com os assaltantes há troca de tiros e o desfecho violento.

Crack - hora de unir responsabilidades

Gilberto Kassab, O Estado de S. Paulo, 25/01/12
Não é hora de apontar culpados nem de alimentar pendengas eleitoreiras. É hora, sim, de também prover de mais recursos as forças que combatem os traficantes. Mais investimento e maior concatenação de ações certamente trarão resultados ainda melhores. É hora de os protagonistas da área jurídica se debruçarem sobre os limites legais que ainda impedem internações urgentes e necessárias.

O incômodo silêncio da oposição

Marco Antonio Villa, O Globo, 24/01/12
O silêncio da oposição incomoda. Desde 1945 — incluindo o período do regime militar — nunca tivemos uma oposição tão minúscula e inoperante. Vivemos numa grande Coreia do Norte com louvações cotidianas à dirigente máxima do país e em clima de unanimidade ditatorial. A oposição desapareceu do mapa. E o seu principal partido, o PSDB, resolveu inventar uma nova forma de fazer política: a oposição invisível.

Reação da sociedade

Rubens Barbosa, O Estado de S. Paulo, 24/01/12
A revista Interesse Nacional, em sua edição especial de janeiro, dedica-se integralmente à discussão do Poder Judiciário e reúne artigos de respeitados nomes da área jurídica que, ao mesmo tempo, são protagonistas e foram artífices das transformações empreendidas nos últimos oito anos.

Controle da magistratura

Ives Gandra da Silva Martins, O Estado de S. Paulo, 21/01/12
A decisão inicial do ministro Marco Aurélio Mello, de suspender o exercício da competência do CNJ até manifestação do plenário me parece equivocada. De início, porque desautoriza seis anos de atuação do CNJ no exercício das competências atribuídas pela Constituição; depois, porque autoriza todos os que foram punidos pela instituição a pedirem imediata reintegração nas funções exercidas e indenizações por danos morais.
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